Foto: reprodução
A recente polêmica envolvendo o deputado federal Rodrigo Valadares revela muito mais do que uma simples discussão sobre quem é ou não de direita. Na tentativa de se firmar como uma voz conservadora e alinhada ao bolsonarismo, Rodrigo parece esquecer que o passado está registrado, e nele há uma história que contraria seu discurso atual.
Afinal, o próprio Valadares deve seu primeiro mandato de deputado estadual a uma aliança articulada pelo PT, em especial pelos então aliados Rogério Carvalho e Márcio Macedo. Ele fazia o "L" sem o menor constrangimento e não escondia que o presidente Lula era o seu "líder maior". Não apenas elogiava, mas rodou o estado ao lado de Márcio Macedo durante a campanha de 2018, buscando apoio da base petista.
Agora, tenta apagar esse passado e adotar uma retórica de puro direitismo, atacando figuras políticas e buscando consolidar sua própria identidade. No entanto, apontar o dedo para os outros sem lembrar de seu próprio histórico é um erro crasso. Como diz o ditado, quem aponta um dedo tem outros quatro apontados de volta.
E não será com essa estratégia infantil de desqualificação que Rodrigo conseguirá a projeção necessária para se viabilizar como candidato ao Senado. Ele precisa, antes de tudo, amadurecer politicamente, entender que a memória do eleitor sergipano não é curta e que alianças passadas não podem ser simplesmente varridas para debaixo do tapete.
Ainda há um longo caminho até 2026, e Rodrigo precisa entender que não se constrói liderança com discursos oportunistas. Em política, a coerência é um ativo valioso, e ele, até agora, não demonstrou ter o suficiente para se firmar como uma liderança incontestável. Se quiser ter alguma relevância no futuro, precisará comer muito mais feijão e arroz e talvez uma boa farofa fina para acompanhar.
Como diz um famoso ditado: "Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte"